segunda-feira, 4 de junho de 2012

Walla!



 
Pois bem.. Hoje estou quebrando o hiato para falar de um cara chamado Jesus. Na verdade o nome dele é Alberto, um grande amigo de longas datas, da faculdade de economia. O ponto é que Jesus é um cara de pouquíssimas palavras, mas está sempre acompanhado de um rico repertório de comentários espirituosos. Não poderia passar despercebido diante de tantos dias pensando na minha vida aqui sem lembrar de alguns dos seus momentos.

Certa feita estávamos no meio de uma festa, após passar por várias outras, quando ele deixou o silêncio: "Parece que não vai acabar nunca, né?!". Engraçado que não foi preciso se ater a detalhes, eu alcancei exatamente o que ele queria dizer. A gente vive como se nunca fosse acabar, mas no fim das contas o baba é tão rápido que mal da tempo de se tomar uma posição mais confortável..

Eu estava correndo contra o tempo, vendendo prancha, guitarra, pedais, carro, comprando dólares, organizando documentos, etc.. No dia em que Jesus passou lá em casa, meu quarto estava ôco. Eu pontuei como era esquisito estar ali, no quarto vazio.. Mas não tinha me tocado de uma coisa: "É importante, rapaz.. bom pra ver que a gente não precisa de nada disso pra viver..". É verdade que já estou cheio de tralhas de novo! haha Mas você tava certo, filhote..

Hoje eu recebi um e-mail de uma amiga avisando que ela estaria me enviando o convite de formatura dela.. e que eu estaria nos agradecimentos, não só pela nossa amizade, mas também pelo dia em que eu a dei chocolate com um bilhete quando ela foi reprovada em sociologia. Eu nem me lembrava mais disso. Uma das ultimas conversas com Jesus, a gente falava sobre não perder contato, etc. "Você já deixou sua marca aqui, tem um monte de gente que gosta de você. Agora você vai deixar sua marca lá do outro lado do mundo. Seus amigos estão aqui e sempre vão estar".

Velho, no fim do dia, isso é tudo que a gente leva. Você estava certo. Obrigado.



De seu amigo,


Deco.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Alô Alô

Acabo de realizar que, por coincidência, escrevi nos últimos meses só no dia dezenove! A média de publicações está baixíssimas, eu sei. Vou trabalhar nisso e atualizar essa bagaça, manu.

Tia Maria Helena, esse desencontro no Skype ta fogo! Como eu durmo assistindo alguma coisa no laptop, muitas vezes o computador fica on line mas eu to offlinezão, dormindo! Não acha que é porque não quero falar contigo, eu estou como muita saudade.

Mãe e pai, se às vezes demoro pra responder é porque estou trabalhando ou estou sem internet. Esse fuso horário é sinistro! Normalmente pela manhã por aqui, a noite aí, eu estou em aula, então a noite aqui é mais fácil pra me achar.

Amo vocês. 

Friends will be friends

Já se completaram quatro meses e muita coisa aconteceu, muitas histórias engraçadas, outras nem tanto. Acabei os três meses do curso do Cambridge e fiz a prova na semana passada, a primeira grande etapa do curso de inglês se completou, e como todo ciclo que se fecha, outro há de abrir.

Não preciso dizer que fui aprendendo desde a lavar minha própria roupa ou esboçar alguma coisa na cozinha, mas também certas coisas que não estava acostumado a lidar com muita frequência, como dizer adeus. Em pouco tempo você faz amigo de todos os continentes, e sem pedir licença eles vão tomando parte da sua vida.. Você os ensina a falar putaria em português, aprende em francês, italiano, alemão, etc., mas com a mesma velocidade que a galera chega, vai indo embora também.

Ontem de noite, Nicolas, um grande amigo suíço seguiu adiante. Ele vai viajar por umas semanas pela Austrália e volta pra Europa pra começar a faculdade de economia. Gostaria de dedicar esse post ao meu parceiro de sala, a correria era tanta que sentia que eu estava de novo na correria do vestibular, mas foram várias piadas, erros de inglês, coles no café da manhã e cerveja no fim do curso!

Se cuida, parceiro. Alguma hora a gente se bate nessas esquinas da vida.

Cheers!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Alvorada lá no morro..

Bebam com controle..
Pois então...
Cinco horas da manhã e eu aqui, assistindo o carnaval.
Dessa vez, é só isso mesmo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Finalmente... o canguru!

Alô!

Por aqui todo mundo é bastante ligado nesse negócio de previsão do tempo. Isso é totalmente estranho pra alguém que veio de uma cidade que só existem duas estações no ano: calor com chuva ou calor sem chuva. Que fique bem claro que não estou reclamando, de vez em quando tenho a impressão de que isso aqui vai explodir de tanto calor. A galera aqui não fica de brincadeira, verão é quente de verdade e inverno é frio de verdade. Estar ligado na previsão do tempo é fundamental pra não te deixar em situações desconfortáveis, como vestir sua bermuda e camiseta florida e se bater uma friaca.

Vocês devem estar se perguntando o porque deu estar falando isso. Pois. Outro dia ouvi falar de um negocio de um tempo ruim que estava por vir. Eu, com a minha baianidade nagô, pensei logo que ia ser “bala pra dormir!”... “Uma chuvinha vai dar uma quebrada nesse forno!”. Rapaz.. no meio da noite acordei com uns estalos.. Parecia que o mundo ia acabar. Primeira coisa que fiz foi trancar a porta do meu quarto. Não me pergunte o motivo. De repente algum maluco resolve entrar na casa dos outros em dia de tempestade. A noite virou dia.. Relâmpago, trovão, chuva, vento, porta batendo.. Que negócio mais inconveniente! Eu sei que no fim da história, não deu pra dormir porra nenhuma e ainda queimou o sistema de telefone de casa. Resultado: Fiquei uma semana e meia sem internet.

Após a ausência justificada... Finalmente, o canguru! Ontem completei dois meses de Austrália e somente na véspera do mensário avistei o primeiro mamífero pulante. Antes de te contar como foi eu preciso explicar um pouco o contexto. Eu nunca conheci um cidadão que conseguiu chegar em algum lugar sem ralar. Pelo menos que alcançou por méritos próprios. Só Jah sabe a maratona que foi terminar a faculdade, trabalhar, tocar, etc.. Só me lasquei. Finalmente cheguei em terras aussies e... continuo me lascando.

Para aqueles que estão pensando em tentar a vida em terras overseas, vou dizer que vocês vão aprender muita, mas muita gramática. Principalmente a conjugação, análise morfológica e sintática do termo se fuder. É um eterno se vira nos trinta. E não me interpretem mal, não existe outra porta de entrada. Não que não vale a pena, mas de vez em quando o negócio empena. De vez em quando você só procura algo pra salvar seu dia.

Como vocês sabem, durante o dia eu trabalho como motorista e lá na empresa tem um brother chamado Ornelas. Sempre que aparece alguma história sinistra, era o Ornelas.. O cara sempre se fode. Ta sempre enrolado.. E um belo dia, ele pegou o caminhão errado. Pois, há um caminhão temido.. o famigerado 632. É uma porcaria velha, pesada, não anda e tudo funciona na base da improvisação. Normalmente ele é usado pra itinerários curtos e perto do mercado. Acontece que ornelas pegou o caminhão errado e deixou o 632 pra mim.. E meu itinerário era gigante e pra Rolleystone. Se existe cu do mundo, é lá. É na serra, não tem luz, as casas são bem distantes uma da outra, difícil acesso, etc. Agora é só fazer as contas. Mais um dia “vista sua roupa de sapo e dê seus pulos!”. Eu tava puto, o GPS não conseguia encontrar os endereços.. me levava pra rua sem saída, a luz interna não funcionava, a lanterna tava quebrada. Toda hora tinha que ficar ligando pro costumer service e botar as direções no papel e ficar procurando no escuro. Mermão, coisa de maluco! Numa virada dessas, um canguru apareceu no meio da rua. Quase que matei o miserável. Pois, eu tava procurando algo pra salvar o dia, finalmente vi um canguru, mas no fim das contas o dia continuou uma bosta.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

FOOM!!

Demorei a perceber.. esta é a sétima semana em terras aussies e durante a última percebi que, mesmo trabalhando como motorista, foi a primeira vez que escutei uma buzina de automóvel por aqui... e a foi a minha.

E 2012 bateu na porta!


Incrível como parece que foi ontem que estava em Morro do Chapéu com meus amigos.. E já se foi mais um ano. A virada por aqui foi tranquila, trabalhando, pra variar. Assim como o natal. Não sei se vocês já ouviram falar, mas é superstição dar um beijo em alguém no primeiro momento do ano, mesmo que esse alguém seja um desconhecido. Bom, como vocês sabem, eu trabalho no bar de uma boate gay a noite, então tratei de me entocar bem do outro lado do balcão e.. entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Não passei nenhum sufoco! Haha Eu não faço ideia de quantos "Eta porra!" ou "Tudo viado!" eu falo durante uma noite de trabalho.. Um dia conto e digo pra vocês. Mas é um monte.

É incrível como nosso instinto de sobrevivência está ligado o tempo inteiro. Você só vai ficar doente quando você puder estar doente, acredite. É como se meu organismo soubesse que não da pra ficar gripado ou indisposto agora e a mente não tem tempo pra ficar triste ou reclamar, pelo contrário, cada dia que passa me sinto mais perto dos meus objetivos. Já estou caminhando pro segundo mês na Austrália e os indicadores são animadores.

Conheci muita gente boa, recebi muita ajuda. A mais irônica de todas as conclusões é de que o único lugar que eu realmente falo português é na minha escola de inglês! Porque é o único lugar no qual encontro brasileiros, fora Eddie e Jorge, que são meus amigos ex anti. Mal cheguei e já furei a bolha da escola de inglês, limite esse que uma galera volta par casa sem transpor. Meus amigos são gringos, assim como meus colegas de trabalho e de casa. Não há como não voltar com inglês polido.

Eu sempre acreditei que podemos ser o que quisermos. Apesar de não controlamos o que sentimos, podemos aprender o que fazer com o que sentimos e assim tentar ser alguém melhor. Não só para si, mas para os outros também. Henrique (tetê) é testemunha de que sempre me empolgava quando ele me chamava pra visitar o orfanato, e era tão perto da minha casa, mas sempre ocupado com bandas, faculdade, trabalho, academia, surf, etc.. nunca me fiz minha parte.

Pois, nesse novo capítulo da minha vida eu estava resolvido a dispender energia pros outros, não só pra fazer dinheiro ou me divertir e semana passada, voltando do trabalho, conheci uma senhora na estação de trem. O nome dela é Irene. Irene Gennini. Ela estava a caminho do seu trabalho voluntário. Ela passa oito horas da semana num sistema de call center que atende pessoas que precisam de ajuda, em depressão, etc. Eu sempre imaginei que nesse tipo de coisa, a gente recebe muito mais do que doa, mas agora eu tenho certeza. Me alistei e estou esperando ser chamado. Em breve colocarei novidades por aqui.

Por enquanto é isso! Espero que vocês estejam bem. Nunca percam a oportunidade ser feliz. Sério.

Amo vocês,

Deco.