Eu sempre soube que haveria momentos difíceis..
E sabia que saudade dói. Mas não tanto. Só longe, muito longe, pra saber.
Feliz Natal. =)
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Eu fui ali na Irlanda e voltei.
Ultimo domingo, Pauline, uma amiga alemã, me levou num pub irlandês.. chama-se Rosie O'Grady. Era engraçado como eu tinha a convicção de que éramos os únicos não-irlandeses ali dentro. Parte assistindo futebol, eu já estava doido pra ver um jogo, e outra parte ouvindo um cantor bêbado louvar todos os clássicos de sua música local. Era muito engraçado.
Já que não sabíamos cantar quase nenhuma, a gente só fingia que entendia. Só existem dois sotaques mais sinistros que o australiano: O ingles escocês e o irlandês. Cerveja parecia água por lá, não que eu não gostasse, mas já eram as ultimas horas do domingo. Pois então, saímos de lá e.. encontramos um conhecido irlandês.
Acontece que fomos parar num lugar chamado The Shed. Não era mais um pub, tinha uma banda enorme tocando várias músicas conhecidas, mas todas orquestradas ao violino, com aquela pegada country de musica irlandesa. Todo mundo dançava como se fosse o rei da dança. Isso é muito engraçado. Não existem coreografias e quase nunca há um jeito certo de se dançar. Pois então, cada um faz da sua forma.. por mais ridículo que pareça. Passei mais dois minutos me perguntando se aquela galera não trabalhava no outro dia.. mas resolvi curtir a irlanda mais um pouco.
* Falando em danças ridículas.. O centro de Perth gira em torno de três grandes avenidas fechadas. Milhares de pessoas entram e saem das lojas todos os dias e no meio da multidão existem vários artistas de rua. De todo canto do mundo. Tem um asiático rastafari que fica batendo uma pedra no chão, fazendo um barulho esquisito num tubo pvc e jura que é arte. Músicos, ilusionistas, pintores.. As ruas cheiram arte.
Pois então, outro dia estava eu andando pela cidade quando um senhor engravatado que parecia correr pra algum compromisso começou a dançar a musica que tocava.. Só tinha ele dançando e da sua maneira toda peculiar.. Em uma fração de segundo o artista deixou de ser o centro das atenções e quando acabou a música, ele ajeitou o cabelo, a gola e seguiu seu caminho. Boa!
domingo, 18 de dezembro de 2011
Era a casa, era luz, eram pais e irmãos.. Era só esse que eu via. Mas era só um lado do mundo.
Alô!
Antes de tudo, me perdoem pela ausência. Fiquei muito feliz, de verdade, com todos os e-mails pedindo notícias. Essas últimas semanas foram realmente corridas e acredito que foram os últimos passos pra se consolidar o que vai ser a minha rotina aqui nos próximos meses. Estou trabalhando em dois lugares e já não moro mais no sofá dos meus amigos. Como me mudei e não tinha serviço de internet pessoal, fiquei off-line por uns dias.
Eu gostaria também de começar esse post dizendo que toda a experiência descrita neste blog não tem absolutamente nenhum valor conceitual. Para alcançar a intensidade do falo aqui, seria preciso viver e sentir na pele o que é esse choque cultural e todas as mudanças necessárias para se adaptar a outro país, caso contrário as histórias somente fazem sentido. Mas é muito mais que isso.
Muita coisa é diferente por aqui, muita mesmo. No começo eu fiquei impressionado com as diferenças, mas com o tempo você toma uns sustos com as semelhanças também. É ironicamente engraçado como a linha do que é humano, animal e o que é cultural, é tênue. Como diria um dos maiores filósofos da era moderna, Falcão, “Homem é homem, menino é menino, macaco macaco e viado é viado”. É como aquele ditado que diz que mãe só muda o endereço, sabe?!
Eu trabalho nos finais de semana no bar de uma boate gay. Podem rir. É genial como os costumes são diferentes. Eu consigo enxergar várias senhoras que vão lá para tomar seus drinks, os senhores que tão ali tomando uma com os colegas de trabalho e convivem harmonicamente com a viadagem gritante de certas figuras. Existe gente de cabelo verde, travesti de pijama e pantufa, gente que não se sabe se é homem ou mulher, outros que parecem ser os dois ao mesmo tempo.. As diferenças por aqui não só coexistem como parecem se completar, porque juntas elas fazem um painel bizarro, mas harmônico.
Por outro lado, tão genial quanto, gente é gente em qualquer parte do mundo. A forma de agir muda e muda muito, mas a essência, putz! É a mesma. Chega um momento que você vê que ali tem gente do mundo todo e vêm de culturas completamente diferentes, mas eles não são tão diferentes como o biótipo berra, porque eles têm muito mais em comum, são seres humanos. Mulher é mulher em qualquer lugar! A mesma forma pouco prática e emocional tentar de resolver as coisas.. hahaha A viadagem é a mesma porra. Parecem que fizeram curso, porque nunca combinaram, mas agem do mesmo jeito.
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| É uma mera questão de ponto de vista.. hahaha |
Certa feita eu vi uma tirinha de Mafalda onde ela dizia: _ Hei, existem somente dois tipos de gente no mundo.. Os marinheiros e os não marinheiros. E uma outra pessoa perguntava: _ Pra quem?! Ela respondia: Para os marinheiros! A gente tende a generalizar e transformar tudo que sabemos muito pouco ou quase nada em arquétipos. Basta ter um olho puxado pra chamarmos de china.. ou japa.. Sei lá! “É tudo igual!” E isso não se restringe somente aos asiáticos. Tenho plena certeza que não fazemos isso por mal, simplesmente tentamos identificar o que não sabemos. Pois pasmem, acontece a mesma coisa do lado de lá! Uma amiga de Taiwan, Chloe, não tinha a menor vergonha de dizer que não conseguia identificar a diferença entre latinos. Perdi as contas de quantos australianos comentaram algo comigo citando o Brasil como um país de lingua castelhana. Os colegas de Eddie chamam ele de mexicano. Talvez eles pensem: É tudo Mexico!
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
F5
Alô!
Muito bom saber que tem um monte de gente interessada na nova vida em terras aussies! Saibam que sinto a falta de todos, se pudesse, traria todos vocês na mala. Sério.
A rotina começa a dar as caras por aqui. Estou numa escola de inglês incrível e trabalho dirigindo um mini truck do woolies, uma rede de supermercados . Na Austrália é muito comum fazer compras pela internet e é aí que eu entro na história, dirigindo o possante que vai entregar suas comidas, material de limpeza e coisas do tipo. É um trabalho corrido, mas será a porta de entrada pra fazer um curso na minha área no TAFE, melhor escola de Perth, portanto, melhor oportunidade de arrumar um emprego de verdade. Quase simples. Sempre soube que não estaria aqui de férias.
Em duas semanas acontecerá o Boxing Day, dia de liquidação após o natal. A partir de então devo ter minha máquina profissional e vou poder então colocar umas fotos aqui, mostrando a Austrália pra vocês pelas minhas próprias lentes. Vai ser incrível! Vou fazer um portfólio pra tentar desenrolar uns trabalhos como fotógrafo também.
Bem.. Tô atrasado! Nos vemos em breve,
Fui!
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Macafari (Êa! Pastafari)
Todo lugar tem suas lendas urbanas e não poderia ser diferente por aqui. Tenho certeza que nem todas são interessantes como essa. Hoje vou contar a história do Pastafary (Macafari), a religião mais esquisita que já se viu.
Como disse antes, a Austrália é um país extremamente cosmopolita e esse é o seu charme, as ruas estão sempre soando em vários idiomas, normalmente ao mesmo tempo! Num simples ato de entrar em um ônibus coletivo, você da a volta ao mundo fácil. Mas essa mistura gera várias outras complicações..
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| Olha que beleza.. Esse é o famoso Cork hat. |
A história gira em torno de um rapaz que estava tirando uma fotografia para a renovação da sua carteira de habilitação. Acontece que a calvície estava batendo a sua porta, ou melhor, à sua cabeça! Era aquele momento em que nem se assume a deficiência capilar, nem se sente confortável de mostrar suas entradas pra todo mundo. Prontamente ele sacou um chapéu, muito provavelmente um aussie cork hat, que é uma parada ridícula, numa pegada Crocodille Dundee.
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| Aí entende.. |
Era obvio que o responsável não deixou. Inconformado, ele tirou a foto e saiu. Logo após dele, era a vez de um indiano. Pois esse rapaz ostentava um senhor turbante na cabeça. Sem maiores problemas ele posou, esperou o click e pronto. "Mas porque o indiano pode ter sua carteira de habilitação com duzentos metros de pano na cabeça e eu não posse com meu chapéu?". “É a religião dele. Nós precisamos respeitar as diferenças, afinal de contas é o que ele acredita.” Disse o senhor, empregado do departamento de transito.
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| O fatídico escorredor.. |
Sem contar conversa, no outro dia esse mesmo rapaz volta pra tirar outra foto, só que dessa vez ele tinha um escorredor de macarrão pendurado na cabeça. O mesmo senhor perguntou pra que diabos ele tinha um escorredor na cabeça e ele respondeu: É a minha religião! Eu sou Macafari. “Eu acredito que O invisível e indetectável Monstro do Espaguete Voador criou o universo, começando com uma montanha, árvores e um anão.” Se aquele Indiano poderia acreditar em deuses animais, celebrar vacas, etc.. Pois ele celebrava o macarrão!
Dessa vez, o senhor não teve opção a não ser tirar a fotografia. Não tenho plena certeza, mas acredito que o resultado foi a foto ao lado.
De vez em quando vou colocar aqui umas dicas de coisas legais daqui. A primeira é um filme chamado Animal Kingdon (Reino Animal, 2010), se passa em Melbourne. Eles ganharam o Sundance Film Festival do ano passado. Se não acharem nas locadoras, na internet tem fácil. História de uma família australiana passando por vários problemas com os filhos. Existem várias referencias a programas de TV, costumes e várias outras cotidianidades das terras dos cangurus. Espero que vocês gostem.quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Cumm on, Austrália!
Ok! Vamos começar os primeiros passos em terras aussies.. Hoje fazem quinze dias que estou em Perth e muita coisa já aconteceu, então vou fazer um resumão do que houve nesses dias.
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| Polo Sul.. |
A viagem começou no início de uma segunda-feira, mais especificamente às 5h53. Chegando em Buenos Aires, comecei a fazer todo o procedimento para embarcar para a próxima parada, Sidney. Acontece que havia um vulcão em erupção no Chile e isso mudou todo o curso da viagem. Ao invés de seguir pelo pacifico até chegar à Oceania, o avião fez o famoso vôo down under, cruzando o polo sul. O resultado é o visual aí do lado. Nunca imaginei que poderia ter a experiência de ver o polo sul, mesmo por uma janelinha.
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| Vista do hotel em Bondi Beach |
Vim conversando boa parte da viagem com um australiano de Camberra muito boa praça. Eles merecem um post a parte, então, depois falo dos australianos. Acontece que cheguei em Sidney atrasado e perdi a conexão pra Perth. Então ganhei o primeiro grande presente nas terras aussies: Uma noite no Swiss Grand Resort em Bondi Beach. É como se ficasse num super hotel em frente ao farol da barra.
Depois de quase trinta hora de espera, eu estava com a bateria nas últimas, mas ainda assim deu pra dar uma passeada e perceber como Sidney é fantástica. Muito melhor do que as minhas, já altas, expectativas. Cidade cheia de gente, animada, enfim.. É como uma São Paulo que funciona, apesar de ter alguns problemas de cidade grande.
Depois de uma volta, voltei pro hotel e.. apaguei. Mas foi tão sério, que perdi o horário do vôo. Conheci um taxista australiano muito gente boa. Nessa altura, eu já tinha conhecido e conversado com gente de tudo que é canto do mundo. Pra variar, fui extremamente bem atendido pela Qantas, que me alocou no próximo vôo sem muita burocracia. As coisas por aqui funcionam sempre da forma mais prática.
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| Perth |
A quinze dias eu conheci Perth. É uma cidade charmosa.. Uma cidade pequena, mas com todo potencial de cidade grande. É a cidade que mais cresce na Austrália, extremamente cosmopolita, como todo o país, mas muito menor.. então tem ainda uma áurea de cidade de interior. Pessoas curtindo os parques, nas ruas.. não existem grandes shoppings, as ruas são cheias de lojas, pessoas de todo o tipo..
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| Família australiana: Jorge, Carluxa, Claudinha e Eddie |
Eu estou morando com dois amigos, chamados Eddie e Jorge. Eles são como meus padrinhos aqui, me deram milhares de dicas, me mostrou a cidade, comidas, os principais bairros, etc. Estarei aqui somente no primeiro mês, só o tempo de pegar o ritmo, conhecer as coisas e já estar com algum trabalho. Isso fez toda a diferença pra mim, acreditem.
A escola é pequena e por isso tem um clima muito caseiro, quase uma família. O povo aqui é muito bem humorado, muito educado e as coisas funcionam quase que sozinhas, sem que ninguém fiscalize. No mercado, você tem a opção de passar suas compras, sozinho. Simplesmente, passa numa maquina, coloca num saco, paga e vai embora. E isso acontece em vários outros locais, como estacionamento, enfim.. É muito estranho para alguém que vem de um lugar onde muito pouco ou quase nada funciona e existem milhares de pessoas fiscalizando.
Acredito que se existisse uma Bahia no primeiro mundo, seria como aqui.. Galera boa praça demais.. até já peguei carona na rua. Ok, vocês jamais entenderiam. Mas não julguem, por que aqui o que ocupa as páginas policiais são as coisas mais ridículas que se possa imaginar.
Existem locais que eles colocam placas pra avisar que já houve assalto lá, pedindo então pra não deixar carros abertos e não carregar coisas de valores. Ah! Eles podem rir no documento de identidade. Isso resume um pouco o espírito Ozzy. Eu acredito que para realmente imergir em uma outra cultura é preciso esquecer um pouco as outras, sem ficar traçando paralelos o tempo inteiro, comparando.. Apesar de ter feito isso algumas vezes nesse post, não costumo fazer no dia a dia. Pois então, a partir de agora vou evitar isso aqui, de repente vocês se molham também!
Fui!
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Memória póstumas de Bras Cubas..
29.10.2011
| Tia Teté, meu pai, tia Maria Helena e tio Ton |
Era sábado, quinze de outubro! Estava tudo certo para ser a primeira de algumas despedidas, mas essa era a familiar, somente com os sanguíneos e alguns poucos tão próximos quanto. Não teria como continuar aqui, sem explicar um pouco de onde eu vim. Minha família não é daquelas que se reúnem todos os domingos, mas está sempre todo mundo sabendo um do outro... E tem tanta história doida e tanta gente singular, que daria pra escrever um livro só com seus episódios. Vieram tios e primas do Rio, minha irmã e tia de Maceió, estavam todos lá. Era realmente atípico. Não tinha como não dar pé.
| Minha mãe e minha irmã |
A festa em si foi mágica, minha tia Maria Helena, quem fez tudo acontecer, estava ávida por deixar tudo nos trinques e não esquecia nenhum detalhe, nem os fotográficos, afinal de contas eu deveria levar pra mostrar para as pessoas na Austrália a minha cultura e minha família e mais toda uma ordem outras recomendações. Foram mil fotos, de todos os tipos e poses, só os primos, primos com tios, só os pais, só com os pais, só com os tios...
| Tio Isídio e tia Maria Helena |
Acontece que o álcool foi entrando, toda aquela áurea de despedida começou a tomar cor e... Me mataram. Mas eu estava lá! Meus pais não se falavam há pelo menos seis anos e estavam trocando elogios num debate mediado pelo meu tio Isídio. Ok, quem não o conhece não tem a menor condição de entender como essa cena é escatológica. Ele mediava o debate com seu relógio, de forma que as pessoas tinham tempos devidamente cronometrados, com direito a réplicas e tréplicas. Ah! Além dos meus pais, havia também à mesa Ana, a minha ex madrasta. Sim, meu pai e suas duas ex num debate acalorado mediado, pelo meu tio Isídio.
| Aula de dança.. |
Keep Left! (Mantenha-se a esquerda!)
Boa!
Esse blog é uma conexão direta com todos que querem saber as novidades da nova vida em terras australianas. Não tive como escrever antes porque as primeiras semanas são como um atropelamento, é tudo extremamente novo e existem mil coisas que precisam ser feitas, como Proof of age (identidade local para não percisar ficar andando com o passaporte), conta no banco, Taxi File Number (para poder trabalhar) e milhares de outras coisas.
Estou num lugar em que tudo é praticamente ao avesso ao que estive acostumado, inclusive o transito! Sim, por ter sido colonizado pela Inglaterra, o transito aqui na Austrália é invertido! Tudo aqui é "mão inglesa"! Portanto, mantenha a esquerda! Já que a direita é o caminho de quem vem.
O primeiro texto não poderia deixar de ser um que escrevi um mês atrás, retratando o último passo no Brasil, a despedida da família. Se puder, deixa um recado lá embaixo pra eu saber quem está acompanhando e assim, saber melhor o que escrever.
Já fui!
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