Alô!
Antes de tudo, me perdoem pela ausência. Fiquei muito feliz, de verdade, com todos os e-mails pedindo notícias. Essas últimas semanas foram realmente corridas e acredito que foram os últimos passos pra se consolidar o que vai ser a minha rotina aqui nos próximos meses. Estou trabalhando em dois lugares e já não moro mais no sofá dos meus amigos. Como me mudei e não tinha serviço de internet pessoal, fiquei off-line por uns dias.
Eu gostaria também de começar esse post dizendo que toda a experiência descrita neste blog não tem absolutamente nenhum valor conceitual. Para alcançar a intensidade do falo aqui, seria preciso viver e sentir na pele o que é esse choque cultural e todas as mudanças necessárias para se adaptar a outro país, caso contrário as histórias somente fazem sentido. Mas é muito mais que isso.
Muita coisa é diferente por aqui, muita mesmo. No começo eu fiquei impressionado com as diferenças, mas com o tempo você toma uns sustos com as semelhanças também. É ironicamente engraçado como a linha do que é humano, animal e o que é cultural, é tênue. Como diria um dos maiores filósofos da era moderna, Falcão, “Homem é homem, menino é menino, macaco macaco e viado é viado”. É como aquele ditado que diz que mãe só muda o endereço, sabe?!
Eu trabalho nos finais de semana no bar de uma boate gay. Podem rir. É genial como os costumes são diferentes. Eu consigo enxergar várias senhoras que vão lá para tomar seus drinks, os senhores que tão ali tomando uma com os colegas de trabalho e convivem harmonicamente com a viadagem gritante de certas figuras. Existe gente de cabelo verde, travesti de pijama e pantufa, gente que não se sabe se é homem ou mulher, outros que parecem ser os dois ao mesmo tempo.. As diferenças por aqui não só coexistem como parecem se completar, porque juntas elas fazem um painel bizarro, mas harmônico.
Por outro lado, tão genial quanto, gente é gente em qualquer parte do mundo. A forma de agir muda e muda muito, mas a essência, putz! É a mesma. Chega um momento que você vê que ali tem gente do mundo todo e vêm de culturas completamente diferentes, mas eles não são tão diferentes como o biótipo berra, porque eles têm muito mais em comum, são seres humanos. Mulher é mulher em qualquer lugar! A mesma forma pouco prática e emocional tentar de resolver as coisas.. hahaha A viadagem é a mesma porra. Parecem que fizeram curso, porque nunca combinaram, mas agem do mesmo jeito.
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| É uma mera questão de ponto de vista.. hahaha |
Certa feita eu vi uma tirinha de Mafalda onde ela dizia: _ Hei, existem somente dois tipos de gente no mundo.. Os marinheiros e os não marinheiros. E uma outra pessoa perguntava: _ Pra quem?! Ela respondia: Para os marinheiros! A gente tende a generalizar e transformar tudo que sabemos muito pouco ou quase nada em arquétipos. Basta ter um olho puxado pra chamarmos de china.. ou japa.. Sei lá! “É tudo igual!” E isso não se restringe somente aos asiáticos. Tenho plena certeza que não fazemos isso por mal, simplesmente tentamos identificar o que não sabemos. Pois pasmem, acontece a mesma coisa do lado de lá! Uma amiga de Taiwan, Chloe, não tinha a menor vergonha de dizer que não conseguia identificar a diferença entre latinos. Perdi as contas de quantos australianos comentaram algo comigo citando o Brasil como um país de lingua castelhana. Os colegas de Eddie chamam ele de mexicano. Talvez eles pensem: É tudo Mexico!

Ah berbaum...
ResponderExcluirRelatório por email.
O blog tá cada vez mais interessante. Parabéns, Deco! Tá muito bem feito.
ResponderExcluirAbraço!