terça-feira, 29 de novembro de 2011

Memória póstumas de Bras Cubas..

29.10.2011

Tia Teté, meu pai, tia Maria Helena e tio Ton
Era sábado, quinze de outubro! Estava tudo certo para ser a primeira de algumas despedidas, mas essa era a familiar, somente com os sanguíneos e alguns poucos tão próximos quanto. Não teria como continuar aqui, sem explicar um pouco de onde eu vim. Minha família não é daquelas que se reúnem todos os domingos, mas está sempre todo mundo sabendo um do outro... E tem tanta história doida e tanta gente singular, que daria pra escrever um livro só com seus episódios. Vieram tios e primas do Rio, minha irmã e tia de Maceió, estavam todos lá. Era realmente atípico. Não tinha como não dar pé.

Minha mãe e minha irmã
A festa em si foi mágica, minha tia Maria Helena, quem fez tudo acontecer, estava ávida por deixar tudo nos trinques e não esquecia nenhum detalhe, nem os fotográficos, afinal de contas eu deveria levar pra mostrar para as pessoas na Austrália a minha cultura e minha família e mais toda uma ordem outras recomendações. Foram mil fotos, de todos os tipos e poses, só os primos, primos com tios, só os pais, só com os pais, só com os tios...



Tio Isídio e tia Maria Helena
Acontece que o álcool foi entrando, toda aquela áurea de despedida começou a tomar cor e... Me mataram. Mas eu estava lá! Meus pais não se falavam há pelo menos seis anos e estavam trocando elogios num debate mediado pelo meu tio Isídio. Ok, quem não o conhece não tem a menor condição de entender como essa cena é escatológica. Ele mediava o debate com seu relógio, de forma que as pessoas tinham tempos devidamente cronometrados, com direito a réplicas e tréplicas. Ah! Além dos meus pais, havia também à mesa Ana, a minha ex madrasta. Sim, meu pai e suas duas ex num debate acalorado mediado, pelo meu tio Isídio.

Aula de dança..
Seções de choro começaram a aparecer. Igueta, o bruxo, já chorava junto da minha mãe e da minha irmã. Meu pai hora cantava, hora chorava, hora sambava... E as todos eles discutiam como eu fui um bom rapaz... Como o mundo da voltas e como o tempo passa voando. Mas eu estava ali, como se já não estivesse, assistindo. Brás Cubas morreu em agosto de 1969 mas continuou a narrar sua história, eu, acabei por ser morto na minha despedida, mas continuarei contando pouco das aventuras nas terras dos cangurus.

Um comentário:

  1. Maravilha Deco! Atualiza sempre essa bagaça pra gnt poder matar a saudade!
    beijão!
    Bruno Pizza

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